O turismo de bem-estar deve se consolidar como um dos segmentos mais relevantes em 2026, acompanhando uma tendência global de viajantes que buscam experiências dedicadas ao cuidado físico, mental e emocional. Mais do que deslocamentos pontuais, esse tipo de turismo envolve permanência, imersão e uma relação mais consciente com o tempo, o corpo e o ambiente, com foco no relaxamento, na saúde integral e na reconexão consigo mesmo.
O segmento abrange retiros de bem-estar, spas especializados, hospedagens voltadas ao wellness, destinos de natureza preservada e programas que combinam descanso, alimentação equilibrada, práticas terapêuticas, atividades contemplativas e contato profundo com ambientes naturais. Em um contexto marcado por rotinas intensas e altos níveis de estresse, essas experiências passam a ser vistas como parte de um estilo de vida mais equilibrado — e não apenas como opções de lazer.

Dados do Global Wellness Institute indicam que o mercado global de wellness tourism movimentou cerca de US$ 651 bilhões em 2022 e deve alcançar US$ 1,3 trilhão até 2027, com crescimento médio anual de aproximadamente 12%, acima do registrado pelo turismo tradicional. Europa, América do Norte e Ásia concentram boa parte dessa demanda, impulsionada pela busca por saúde preventiva, qualidade de vida e experiências transformadoras. O Brasil acompanha esse movimento, ampliando a oferta de destinos e produtos associados ao bem-estar e à natureza.
Viajante que valoriza experiências
Para 2026, a expectativa é de fortalecimento de um perfil de viajante que valoriza experiências regenerativas, com tempo dedicado ao descanso, à introspecção e à recuperação do equilíbrio físico e emocional. Esse comportamento tem impulsionado a procura por hotéis e pousadas de imersão, spas de alto padrão, retiros contemporâneos e destinos voltados ao slow travel, nos quais o ritmo desacelerado é parte essencial da proposta.
A Associação Brasileira de Agências de Viagens — ABAV Nacional — avalia que o crescimento do turismo de bem-estar reflete uma mudança no modo como o viajante enxerga a viagem. “Há uma busca crescente por experiências que promovam qualidade de vida, tranquilidade e saúde emocional. Esse tipo de turismo exige planejamento cuidadoso e alinhamento com o perfil do cliente, e as agências têm papel estratégico na curadoria de destinos, serviços e experiências que ofereçam segurança e credibilidade”, afirma a presidente da entidade, Ana Carolina Medeiros.

No Brasil, diferentes regiões já se destacam como polos de bem-estar, reunindo natureza exuberante, gastronomia saudável e atividades voltadas ao relaxamento e à regeneração. Destinos de serra, litoral e áreas de mata preservada, além de hotéis-fazenda, turismo rural e experiências integradas à natureza, vêm atraindo viajantes interessados em investir em saúde física e emocional de forma mais consciente.
Além de atender a uma demanda em expansão, o turismo de bem-estar também gera impactos positivos na economia, ao fortalecer a hotelaria especializada, serviços terapêuticos, iniciativas de turismo de natureza e cadeias produtivas locais. Para a ABAV Nacional, a tendência deve estimular a diversificação de produtos turísticos, o fortalecimento do turismo interno e a geração de novas oportunidades de negócios em diferentes regiões do país.

Bem-estar atrai viajantes seniores
De acordo com Karin Becker, guia de montanhismo na região da Mantiqueira mineira, há uma crescente busca pelo montanhismo e atividades na natureza entre pessoas acima dos 60 anos. Há também famílias com filhos pequenos ou adolescentes, que encontram nessas atividades um meio de fortalecer laços familiares e criar memórias.
Ela ainda comenta que “nesta fase da vida, a trilha ganha um novo significado: deixa de ser apenas uma caminhada e se torna um momento de conexão profunda com a natureza e com quem amamos. Seja entre amigos ou em família, atividades ao ar livre, como o montanhismo, fortalecem vínculos enquanto cuidamos do corpo e da mente. São atividades perfeitas para quem busca contemplação, ar puro e um ritmo consciente, onde o destino é importante, mas o ‘sentir o caminho’ é o que realmente fica na memória”.






