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Os clientes de luxo já não estão tolerando experiências e produtos decepcionantes!

Relatório da Bain & Company aponta um consumidor mais exigente, que valoriza propósito, experiências autênticas e marcas capazes de entregar significado além do produto.

Foto de uma multidão em um lugar público
Os clientes não aceitam mais experiências e produtos decepcionantes – Foto: Levi van Leeuwen

A Bain & Company acaba de divulgar um comunicado com dados sobre o setor de luxo global do primeiro semestre de 2026 (Q1 2026). Eles estimam um crescimento entre 0% e 2% no setor até o final do ano, com aumento no consumo nas Américas, impulsionado por consumo de marcas de luxo norte americanas por jovens.

Além disso, a Bain & Company ainda diz que os consumidores estão cada vez mais comparando preços e buscando itens de luxo de segunda linha, sendo que metade destes consumidores já buscam e descobrem produtos através das IAs (inteligências artificiais).

Por fim, eles também destacam que as empresas mais valiosas do setor estão investindo em patrocínios esportivos, tornando o esporte como um fator de relevância para a criação e desenvolvimento das marcas de luxo.

Estabilização do luxo global

Os conflitos globais e as dificuldades sociopolíticas trazem turbulências em todos os setores da sociedade. O setor de luxo não ficou fora disso. De acordo com a Bain & Company, o gasto com itens e produtos do setor de luxo em 2026 deve-se estabilizar, apresentando os mesmos valores em relação ao ano passado. A consultoria estima valores entre 0% e 2% para o final do ano, com consumo chegando entre 1.440 e 1.470 bilhões de euros.

Foto de uma alfaiataria com foco em uma roupa em um cabide com a fita métrica ao redor dos ombros do manequim
A moda pode ser um reflexo de como as pessoas consomem o luxo: umas buscam por ostentação, reconhecimento; outras, buscam por conforto, qualidade e distinção – Foto: Logan Weaver

De acordo com a autora líder do estudo, Claudia D’Arpizio, parceira senior da Bain & Company e líder global dos setores de Fashion & Luxury, ela comenta, em tradução livre, que “os consumidores não estão recuando em relação ao luxo. Eles estão se movimentando para uma nova forma de relação – definida por propósito, não somente por produto. As marcas que irão liderar serão aquelas que conseguirão reinventar sua relevância continuadamente, atuando tanto com consumidores quanto em ecossistemas impulsionados por IA”.

A posse está perdendo relevância para as experiências

Ainda de acordo com o estudo, o sentimento do consumidor em relação às experiências está superando os bens tangíveis em 1,5 vezes em 2026. Este movimento reflete uma mudança no comportamento cultural e estrutural onde a posse perde relevância para as experiências vividas pelos consumidores.

Uma pessoa preparando para fazer um saque de tênis (o esporte)
Grandes marcas de luxo estão apostando em patrocínios em esporte como um dos pilares para a criação e desenvolvimento de relações com os consumidores – Foto: Renith R

Marcas que trabalham com experiências, como hospitalidade, alta gastronomia, artes, estão tendo bons resultados. O setor de alta gastronomia ainda se beneficia do novo estilo de pensamento, onde as pessoas buscam algo “menos, porém melhor”.

Novas experiências redefinem o setor

Como já publicamos, o novo luxo traz as experiências significativas como protagonista, e a Bain & Company diz exatamente isso em seu comunicado. As experiências de luxo estão focando em emoção e momentos orientados por propósito.

De acordo com a consultoria, reservas para experiências imersivas em gastronomia, lazer e entretenimento estão 30% maiores comparando com o ano passado, impulsionadas por formatos sob medida e de slow-travel (viagens sem pressa) com foco na cultura local.

Um homem mostrando um folheto para duas mulheres em Machu Pichu, no Peru
As pessoas estão buscando viagens de descanso com foco no conhecimento da cultura local – Foto: Zongnan Bao

Podemos ver muitas empresas de hospitalidade de luxo já trabalhando nesses conceitos de slow-travel com foco em cultura local, um bom exemplo são os destinos da Belmond. No Maroma, A Belmond Hotel, Riviera Maya, no México, os quartos estão cercados pela natureza e o spa oferece “rituais de purificação e renascimento”.

De acordo com Federica Levato, parceira senior da Bain & Company e coautora do estudo, “o apetite por luxo continua forte. A tolerância por experiências e produtos decepcionantes não”. Que faz sentido – e até já discutimos sobre isso – se pensarmos em como as empresas estão inflando suas ofertas por experiências memoráveis, sem entregar valor real para o cliente.

Ela ainda comenta que “mais de 70% dos consumidores que deixaram o luxo pretendem voltar – mas não necessariamente para as mesmas marcas. A questão é se as marcas estão criando o sentido e relevância nativa com IA para serem encontradas e escolhidas quando o momento chegar”.

A inteligência artificial no luxo

Como em todos os setores da sociedade, a inteligência artificial (IA) também chegou nas marcas de luxo. Porém, a IA deve ser usada para melhorar a experiência do consumidor e ajudá-lo em sua jornada de compra ou atendimento. Um dos imperativos que a Bain descreve em seu estudo é que as marcas devem oferecer plataformas para os clientes serem coautores através da criatividade e personalização da IA.

Foto de uma mulher de frente para a porta rolante de um local (provavelmente um hotel)
Mesmo com ferramentas tecnológicas para auxiliar o cliente, o fator humano ainda é importante e decisivo para a conexão humana – Foto: Nagesh Badu

Na nossa opinião, a IA será uma ferramenta para facilitar o trabalho e desenvolvimento das marcas de luxo, porém, o toque humano será o símbolo dos serviços exclusivos.

Amplificando os significados

Para concluir nossa análise sobre o estudo divulgado pela Bain & Company, é importante destacar que a Bain vê a evolução do sentido de luxo para os consumidores, deixando de ser sobre validação social e se tornando algo para realização pessoal, com foco na pessoa ao invés dos objetos e da posse.

Isso representa uma mudança de comportamento, onde o consumidor não vê o luxo apenas como ostentação ou autopromoção, mas sim como um objetivo de realização pessoal. Essa nova era para o setor, ainda de acordo com a Bain, não será definida pela posse do consumidor, mas sim pela forma como ele vive. É uma visão onde o luxo evolui, saindo da ideia de elitismo para a de autoexpressão, com foco em viver melhor.

O luxo evolui, saindo da ideia de elitismo para a de autoexpressão, com foco em viver melhor – Vídeo: The World from a Window / Belmond

Por fim, o relatório destaca mais dois pontos onde devemos ter atenção como marcas: devemos proporcionar encantamento através de experiências imersivas em refúgios de longevidade e santuários selvagens, além de também criarmos relevância cultural para comunidades diversas.


Leia a publicação da Bain & Company na íntegra: https://www.bain.com/about/media-center/press-releases/2026/global-luxury-stabilizes-amid-compounding-disruptions-as-brands-race-to-amplify-meaning-and-rebuild-relevance/


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