Com a popularização das inteligências artificiais (IAs) generativas aliadas ao objetivo de eficiência, os estabelecimentos começaram cada vez mais utilizá-las para criar e postar conteúdos nas redes sociais.
Isso, por si só, poderia até ser algo bom. Porém, essas empresas parecem que tem o mesmo departamento de marketing, que sempre entrega textos similares, ofertas “memoráveis” e imagens inconfundivelmente geradas por IA.
Experiências memoráveis
A IA está evoluindo e mudando a forma como escrevemos e interpretamos dados. Mesmo assim, muitos insistem em usá-la como cérebro ao invés de ferramenta. Não há filtro ou revisão e o resultado do prompt vai direto para o público.

E a IA gosta muito de “elevar” a entrega do prompt. No caso da gastronomia, um jantar normal vira uma experiência única. Um prato executivo se torna um momento memorável. O jantar de Dia dos Namorados se transforma em “uma noite inesquecível para celebrar momentos únicos em um ambiente perfeito”.
Tudo precisa ser memorável?
Você provavelmente já viu muitas postagens assim. E até mesmo pode ter feito alguma, faz parte, eu também já fiz. Mas, meu ponto de vista entra na questão da hospitalidade e entrega de valor.
Tudo o que postamos tem que ser memorável, único, especial ou considerado como uma experiência?
Banalização das experiências
O que vemos é a banalização das experiências. Um restaurante que oferece um jantar por um valor e decide simplesmente triplicá-lo durante uma data comemorativa, oferecendo a mesma experiência de um prato executivo, sem nenhuma alteração na forma como tratam a hospitalidade, é o ápice da modernização da IA: publicação impecável sem entrega de valor.

E alguns ainda dizem: “Mas nós teremos ambiente decorado, com fotógrafo e música ambiente”, isso é o mínimo que um estabelecimento deveria oferecer para atrair consumidores.
Se pensarmos no dia dos namorados, que é uma ótima data para atrair consumidores, ela é terrivelmente explorada por muitos estabelecimentos que esquecem que hospitalidade deveria ser seu diferencial.
Durante uma data comemorativa como essa, vemos publicações com valores fixos para celebrar esses momentos memoráveis muito diferentes dos valores praticados em dias normais. E muitos lugares ainda impõem um horário de início e fim dessa “experiência”.

Isso por si só nem sempre é um absurdo. Há demanda e há estratégias para aumentar o faturamento do estabelecimento explorando datas comemorativas com excelência. Porém, o absurdo em si é a falta de entrega, pouco valor percebido pelo cliente e a inexistência da hospitalidade. O cliente é atraído pela proposta, feita com imagem e texto impecáveis, porém ele acaba se sentindo lesado após “celebrar esse momento único”, pois sente que não houve nada de único naquela celebração.
As entregas precisam ser reais
Oferecer uma experiência memorável é oferecer algo além das expectativas do cliente. Não podemos banalizar uma palavra que significa tanto no imaginário das pessoas. Além disso, oferecer algo único, não necessariamente precisa ser algo com custo elevado.
No livro Hospitalidade Irracional, Will Guidara, um ex-dono de restaurantes nos Estados Unidos que conquistou diversos prêmios e estrelas Michelin com seus estabelecimentos, conta que uma das melhores experiências que ele já conseguiu oferecer – e olha que ele fala de diversas em seu livro – foi servir cachorros quentes (os famosos hot dogs de rua) para alguns clientes que estavam viajando por Nova Iorque. Os clientes de seus restaurantes pagavam milhares de dólares para jantarem no Eleven Madison Park, um restaurante três estrelas Michelin, porém o que mais surpreendeu eles foi o cachorro quente barato servido como um prato “chique”.

Já no contexto da Conciergerie, nós trabalhamos em estratégias e planejamento para entregar experiências que realmente são únicas. Elas precisam ter valor agregado e os participantes dessas experiências precisam perceber isso sem explicações. Tudo precisa ser feito pensando na hospitalidade, conforto e, acima de tudo, sem fricção.
E, com isso, chegamos à nossa conclusão: o problema não está em oferecermos experiências únicas e memoráveis. O problema acontece quando cobramos o valor de uma experiência única e oferecemos algo do mesmo, sem curadoria e cuidado, enganando o cliente.

Na próxima vez que você ver uma oferta de “celebração de momento único”, lembre-se de filtrar e não se deixe enganar. A palavra “experiências” não deve perder o seu sentido, que é tão forte e relacionado aos nossos sentimentos. Não devemos permitir que isso aconteça!
PS: Este texto não foi criado por IA. Porém, usei IA como ferramenta para buscar por erros ortográficos.
Conteúdos adicionais
Palestra do Will Guidara
Ficou interessado no trecho sobre os cachorros quentes no Eleven Madison Park? Assista a palestra do Will Guidara no TED, ele conta um pouco mais sobre o trecho que mencionei.
A Era das Experiências
A palestra de Carlos Ferreirinha no TEDx São José dos Campos traz uma análise provocativa sobre a transição da Era da Qualidade para a Era das Experiências. Confira o texto que publicamos sobre ela:




