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O novo comportamento é a hospitalidade, por Reginaldo Fonseca

Em sua nova coluna, Reginaldo Fonseca apresenta as transformações que estão moldando o mercado de luxo e a crescente valorização da hospitalidade.

Uma Wellness Advisor do hotel Lily of the Valley mostrando um folheto com uma foto de uma comida saudável. Na mesa, há uma placa escrita "Wellness Advisor".
Hotéis, como o Lily of the Valley, oferecem serviços de consultoria de bem-estar que ajudam os clientes a priorizar o autocuidado durante a estadia – Foto: Lily of the Valley


A relação das pessoas com o luxo e a hospitalidade mudou bastante nos últimos anos — e não é só uma questão de preço ou ostentação. É uma mudança de mentalidade mesmo, influenciada por tecnologia, valores sociais e até eventos como a pandemia de COVID-19.

O novo comportamento


O luxo ostentatório passou a ser o luxo experiencial

Antes, luxo era muito associado ao status visível: hotéis cinco estrelas, marcas famosas, excesso. Hoje, muita gente valoriza mais as experiências únicas e personalizadas. Um jantar exclusivo, um retiro silencioso ou um atendimento extremamente atencioso pode ser mais “luxuoso” do que algo caro e chamativo.


A personalização virou o novo padrão

Na hospitalidade, não basta mais oferecer conforto — o cliente espera ser reconhecido. Hotéis e serviços usam dados para antecipar preferências (saber sua bebida favorita ou estilo de quarto, por exemplo). Isso cria a sensação de cuidado individual, que hoje é vista como luxo.

Foto de uma sala de spa no Fasano Itaim, com uma poltrona e uma banheira como destaque
O Fasano oferece a Terapia Esportiva para revitalizar o corpo do hóspede, combinando técnicas orientais e ocidentais, como alongamentos, ventosas e guasha. Segundo eles, cada sessão é personalizada de acordo com as necessidades e condições físicas individuais do hóspede – Foto: Fasano


Sustentabilidade como parte do luxo

Cresceu muito a ideia de que luxo precisa ser responsável. Lugares que adotam práticas ecológicas, que reduzem o desperdício e respeitam a cultura local ganharam valor. O consumidor moderno muitas vezes prefere algo “ético” a algo simplesmente caro.


A informalidade é sofisticada

A rigidez clássica da hospitalidade de luxo (com muita formalidade e protocolos rígidos) deu lugar a uma abordagem mais descontraída, porém ainda refinada. As pessoas querem se sentir confortáveis, mas não intimidadas.

Foto de um pizzaiolo amassando uma massa de pizza enquanto hóspedes do Hotel Il San Pietro Positano observam
No Hotel Il San Pietro Positano, os hóspedes podem agendar uma aula para aprenderem a fazer a tradicional pizza napolitana – Foto: Il San Pietro Hotel Positano


Digitalização da experiência

Tecnologia virou parte essencial: check-in online, chave digital, concierge via WhatsApp, recomendações personalizadas. Isso agiliza tudo e aumenta a sensação de eficiência — um novo tipo de luxo.

Valorização do tempo e bem-estar

Foto de uma pessoa tocando na tela de um sistema de check-in em um tablet. Ao lado do tablet, há uma campainha de apertar
O luxo é quando tudo funciona perfeitamente sem parecer forçado –Foto: Proxyclick Visitor Management System

Hoje, tempo livre e saúde mental são vistos como verdadeiros luxos. Por isso, spas, experiências de relaxamento e viagens mais lentas (“slow travel”) estão em alta.


Influência das redes sociais

Plataformas como Instagram e TikTok mudaram o que é considerado desejável. Lugares “instagramáveis” e experiências compartilháveis ganharam peso — mas, ao mesmo tempo, surgiu uma contracorrente que valoriza discrição e exclusividade real. No geral, o luxo deixou de ser sobre “ter” e passou a ser muito mais sobre “sentir” — conforto emocional, autenticidade e significado.

Em Seul, na Coréia do Sul, o Café Louis Vuitton une sabores inspirados na culinária coreana às criações emblemáticas da Maison, vindas de Saint-Tropez e Paris – Foto: Louis Vuitton


O Luxo sustentável e consciente

Um dos exemplos mais emblemáticos é o Soneva Fushi, localizado nas Ilhas Maldivas. O resort é de altíssimo padrão, mas com operação de carbono neutro e foco em zero desperdício.

Lá existe a filosofia de eliminar plástico, reciclar a maior parte dos resíduos e produzir sua própria energia. O Soneva Fushi oferece experiências como observação de estrelas e programas de conservação.


Jantar no Soneva Fushi nas Ilhas Maldivas
O Soneva Fushi oferece jantares nas areias das Ilhas Maldivas para seus hóspedes – Foto: Richard Waite / Soneva

Então, o luxo não é só conforto — é consciência ambiental + exclusividade. Isso reflete uma demanda crescente: cerca de 73% dos viajantes querem opções mais sustentáveis.

O luxo como bem-estar (wellness)

Hotéis como o Six Senses Zighy Bay, localizado em Omã, mostram essa virada. Ele possui programas de detox digital, spa avançado e experiências de longevidade. Propõe a integração entre corpo, mente e ambiente, e oferece uma gastronomia orgânica e atividades personalizadas.

O descanso se tornou mais valioso do que a ostentação, enquanto o wellness virou praticamente obrigatório no luxo moderno.

Foto de um dhow omanense artesanal do Six Senses Zighy Bay em Omã
No Six Senses Zighy Bay, os hóspedes podem descobrir a impressionante costa e os fiordes de Musandam — conhecida como a “Noruega do Oriente Médio” — a bordo de um tradicional dhow (embarcação) omanense artesanal – Foto: Six Senses Hotels Resorts Spas


As marcas de luxo entraram na hospitalidade

Grifes tradicionais perceberam que vender só produto não basta — elas querem oferecer experiências completas.

A Louis Vuitton tem cafés e espaços culturais; a Gucci surge com seus restaurantes (Gucci Osteria); e a Armani segue a linha dos hotéis e cafés.

Isso acontece porque hoje o consumidor valoriza mais a vivência e conexão com a marca do que apenas posse.

Foto do Le Café Louis Vuitton em Nova Iorque
O Le Café Louis Vuitton está localizado no 4º andar da loja da Louis Vuitton em Nova Iorque – Foto: Louis Vuitton


Experiências hiperpersonalizadas estão em destaque

Hotéis boutique e resorts de alto padrão estão indo para roteiros feitos sob medida, vilas privadas isoladas e atividades desenhadas para cada hóspede. O cliente não quer mais aquele “pacote pronto” — quer algo único. Essa personalização virou um dos pilares do luxo atual.

Luxo mais “humano” e menos formal

Mesmo em lugares sofisticados, o atendimento mudou. O cenário atual traz menos rigidez e mais autenticidade. Além disso, as equipes são treinadas para criar conexão emocional. A tecnologia “invisível” (check-in digital, apps etc.) é fundamental.

Atualmente, o luxo é quando tudo funciona perfeitamente sem parecer forçado. Todos esses casos mostram o mesmo movimento de:

  • Produto para experiência;
  • Ostentação para significado;
  • Padronização para personalização;
  • Excesso para propósito.

Fica a reflexão

Os tempos são outros e tudo muda numa velocidade incrível. E fica a reflexão: o que é luxo para você? Como cada pessoa é um ser único, cada um terá uma ideia de luxo!

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