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Em um mundo incerto, viajantes mudam seus planos, mas não a busca por experiências, aponta Mastercard

Em seu mais recente relatório sobre viagens, o Mastercard Economics Institute descreve como a economia do turismo está se adaptando às incertezas globais, forças econômicas e influência da IA.

Um homem sentado em uma poltrona com uma mala de mão ao seu lado
No Brasil, viajantes combinam experiências com varejo, apresentando grande diferença com base na origem do turista – Foto: Emmanuel Black

A economia do turismo este ano é definida por uma palavra: adaptabilidade. Diante de tensões geopolíticas e do aumento dos custos com combustíveis, consumidores e empresas demonstram como seus comportamentos de viagem mudam em resposta a um mundo em constante transformação. É o que aponta a edição mais recente do relatório anual de viagens do Mastercard Economics Institute (MEI), “A nova equação do turismo: Macro, máquinas e motivação”.

“O turismo no Brasil está ancorado no que acontece no destino, e não em onde o visitante se hospeda. Gastronomia e vida noturna são os pilares centrais, mas a composição da demanda varia bastante conforme a origem do turista, do viajante britânico mais concentrado em restaurantes ao visitante argentino mais voltado ao varejo, passando pelo turista chileno mais interessado em experiências.”, afirma Gustavo Arruda, economista-chefe para a América Latina e Caribe (LAC) do Mastercard Economics Institute.

Perfil do turista estrangeiro

No Brasil, o levantamento aponta que o perfil do turista estrangeiro que visita o país é marcado por uma combinação de experiências relacionadas à gastronomia e entretenimento, assim como uma procura relevante por bens de consumo. O relatório detalha ainda que, enquanto os turistas argentinos lideram as compras no varejo, outros investem mais em buscar experiências no país.

Gráfico de gastos no Brasil por mercado de origem – Fonte: Mastercard Economics Institute com tradução feita pela Conciergerie
  • Argentinos: Apresentam a maior fatia de gastos (wallet share) em varejo e compras entre todos os segmentos analisados (36,9%), destinando 22,6% para hospedagem e 1,3% para bares.
  • Chilenos: Dividem os gastos entre restaurantes (29,3%) e hospedagem (18,5%), mas destacam-se por registrar a maior fatia de gastos com experiências e entretenimento ao vivo (7,3%).
  • Britânicos: Dedicam a maior fatia do seu orçamento aos restaurantes (33,7%), combinada com um gasto maior em bares (3,4%).
  • Norte-americanos: Lideram os gastos em varejo alimentar (20%), mantêm uma forte presença em restaurantes (27,5%) e ocupam a segunda posição no investimento em transporte terrestre (6,8%).
  • Alemães: Mostram uma preferência consolidada por alimentação, dividindo seus gastos entre restaurantes (27,7%) e varejo alimentar (18,8%).
Foto de um shopping center em Nova Iorque, nos Estados Unidos
Cerca de 28% do orçamento dos turistas globais é destinado ao varejo quando estão nos EUA, mas os visitantes do México superam todos os outros, gastando 54% de seus orçamentos em compras – Foto: Diane Picchiottino

Visão Global

Segundo o relatório, a economia global permaneceu forte, os mercados de trabalho continuam saudáveis e o crescimento salarial superou, em grande parte, a inflação de preços, dinâmicas que sustentaram a força contínua do turismo e das viagens.

Atores geopolíticos e câmbio tornam o cenário mais complexo: moedas fortes podem reduzir gastos com turismo devido ao custo, enquanto viajantes buscam destinos com moedas mais desvalorizadas para economizar.

Foto do ambiente do Taste of Priceless da Mastercard
Pensando no turismo corporativo, empresas como a Mastercard oferecem salas vip com foco em experiências – Foto: Divulgação / Mastercard

Enquanto isso, as viagens de negócios estão mudando de outra forma. Ao analisar os dados agregados e anonimizados da Mastercard em diversos mercados, o MEI descobriu que várias cidades estão ganhando terreno no turismo corporativo, como Abu Dhabi, Ancara e Hyderabad, apesar de alguma dúvida sobre o quanto questões geopolíticas podem ter afetado esses resultados.

O relatório também destacou como os padrões de consumo de turistas de diferentes países são consistentes ao longo do tempo. Cerca de 28% do orçamento dos turistas globais é destinado ao varejo quando estão nos EUA, mas os visitantes do México superam todos os outros, gastando 54% de seus orçamentos em compras.

“Mesmo diante de um cenário de muitas incertezas e embates geopolíticos, os gastos com viagens corporativas e de lazer continuam estáveis. Nesses últimos seis anos pós-pandemia, o desejo de viajar persistiu, o consumidor apenas adaptou seus gostos, reajustando destinos, orçamentos e períodos de viagem para fazer os planos mediante sua realidade”, complementa Gustavo Arruda.

A influência da IA no turismo

A inteligência artificial tem ampliado o tipo de experiências que os viajantes buscam, saindo de destinos tradicionais para opções mais personalizadas e alinhadas a seus interesses, como sítios históricos, regiões vinícolas emergentes e resorts de bem-estar. Além disso, a IA tem impulsionado a descoberta dos chamados “destinos gêmeos”, alternativas mais acessíveis e menos lotadas que oferecem experiências semelhantes às de locais famosos.

O uso dessas ferramentas também está ligado a um maior gasto com viagens, já que assinantes de IA tendem a investir mais nesse tipo de experiência. Embora isso possa refletir fatores demográficos, como renda e perfil mais jovem, também indica que a IA pode estar estimulando o interesse por viajar e ampliando as possibilidades de descoberta e planejamento.

Confira o conteúdo completo do relatório anual de viagens do Mastercard Economics Institute (MEI), “A nova equação do turismo: Macro, máquinas e motivação”.

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