Você está no seu restaurante preferido, já pediu o seu prato e deseja tomar um vinho para harmonizar. O Sommelier chega até você e te oferece algumas sugestões de vinho. Agora, imagine algumas opções entre vinhos mais baratos e mais caros, conforme cada situação, e pense em qual vinho você pediria caso: estivesse sozinho em um dia comum? Em boa companhia? Celebrando uma conquista recente? Se seu filho acabou de nascer?
O mais caro foi o melhor para todas as ocasiões?
Longe de mim dizer que produtos mais baratos são melhores que seus concorrentes mais caros! Muitos produtos realmente refletem seus custos de produção, complexidade, tempo, sustentabilidade, exclusividade…, muitas vezes pagamos mais por algo bem feito, saudável, exclusivo, mas esse texto não é somente sobre isso.

Saber se algo é realmente bom depende do fator pessoal que cada pessoa está enfrentando no seu próprio processo de crescimento, seja profissionalmente, emocionalmente e, principalmente, financeiramente. Porém, concordemos que cada pessoa pode ter conhecimento de muitos saberes: eu sei o que é bom agora, o que foi bom antes e tenho uma noção do que pode ser bom caso eu tivesse acesso a um produto ou serviço.
Parece confuso, mas quero chegar ao ponto onde o seu paladar se encontra neste exato momento, de acordo com seu conhecimento, suas experiências, disponibilidade financeira e até mesmo seu estado civil! No exemplo do vinho, a sua escolha pode variar de acordo com o seu conhecimento, suas experiências anteriores, sua disponibilidade financeira e até mesmo com o seu estado de espírito e prioridades de vida.
Você gosta de todas as coisas que gostava há 5, 10, 15 anos? Você tem o tempo disponível que tinha antes?
Agora sim, conversaremos sobre percepção de valor, o valor realmente entregue nas coisas que consumimos e o momento atual do seu paladar.
Percepção de valor
Vivemos sempre calculando o nosso alcance e desejos, por exemplo: sabemos os restaurantes que gostamos, os que podemos pagar todos os dias, os que vamos apenas para celebrações e aqueles outros que temos desejo e queremos ir no futuro. Isso vale para roupas, carros, joias….
É nesse ponto onde quero encontrar com o mercado de luxo e percepção de valor. Nem tudo precisa ser sobre valor financeiro para vivermos luxo ou termos um bom produto ou serviço bem realizado. Tudo dependerá do seu momento e do seu paladar.

Luxo é sempre relacionado com ostentação, preços elevados, modelos e desfiles, carros de milhões e casas enormes. Viver o luxo nem sempre é só isso, muitas vezes é sobre viver algo único, seja um jantar em família, um happy hour divertido com seus amigos de infância e até mesmo poder viajar com tranquilidade. Luxo também pode ser confiar plenamente que alguém cuidará de todos os detalhes por você.
Um produto pode ser bom sem ser caro, um serviço pode ser realizado de forma excepcional sem ter custado uma fortuna e você pode viver um momento marcante na sua vida sem desembolsar o valor de meses de trabalho. Viver o luxo depende do momento de cada pessoa. É claro que o que estou dizendo aqui não se refere às marcas de luxo, digo vivenciar uma situação considerada luxo!
A resposta? Depende.
Muitas pessoas podem considerar o tempo como luxo, principalmente àquelas que não conseguem aproveitar um dia sequer com suas famílias, ver o crescimento de um filho, etc. Tudo vai depender de como você está vivendo seu momento atual: hoje, o seu prato preferido, no seu restaurante preferido, pode ser algo que você jamais consideraria daqui uns meses. A sua marca de roupas preferida será muito “comum” e você vai preferir outras. Já o seu carro, que é bom agora, pode ser que não corresponda às suas expectativas daqui um tempo. Tudo faz parte do processo.

Há alguns anos, muitas pessoas iam para festas noturnas e viajavam ostentando símbolos e marcas de luxo em suas roupas, malas e faziam publicações nas redes sociais para que todos pudessem ver. Hoje, isso já não é mais valorizado. A discrição e prática de hobbies em horário comercial são consideradas o novo luxo e a ostentação é “brega”. Compreende o meu ponto de vista?
Então, reflita sobre o seu momento atual e avalie que nem sempre o mais caro será o melhor para você e provavelmente não continuará sendo no futuro. Mas, você deve continuar experimentando e buscando o melhor, expandindo seu paladar, buscando conforto e evolução. Aproveite a jornada em busca do melhor, viva o seu próprio luxo, independente do valor!




